Autoria
José Carretas e Teresa Faria
Encenação e Cenografia
José Carretas
Figurinos
Paulo W
Desenho de Luz
Francisco Loureiro
Música
Fernando Mota Ü
Produção
Conceição Ferreira
Interpretação
António Filipe
Maria de Aires
Paula Sousa
Paulo Oom
Pedro Alpiarça
Teresa Faria
Victor Santos
O "erro humano" põe em acto o cruzamento de oito personagens no espaço limitado de uma estação ferroviária, numa noite de Inverno, em que se espera o combóio. Esta espera a horas tardias e, por conseguinte, a perscrutação do horizonte, é a determinante efémera desse cruzamento ou encontro. Os combóios, como os insectos, ganham em serem vistos de perto e à vocação entomológica do teatro agregam a promessa do que está longínquo: uma estação é um nó de ramais, linhas, gares e apeadeiros que garantem, apesar de tudo, um destino na escuridão. Os combóios são os símbolos do modo como a ocupação humana se espande dos seus centros nervosos aos seus baldios - e, mais ainda, os símbolos da estranha instabilidade dessa ocupação, sobretudo quando chegam atrasados. Uma estação vazia ou escassamente povoada, como é o caso da nossa, é a intolerável imagem da rarefacção humana e na razão inversamente proporcional, do potencial construtivo e dialógico do encontro acidental. Em poucos lugares como numa estação ferroviária é tão evidente a pura contingência do encontro; em nenhum outro lugar se exponencia tanto a efemeridade do enlace humano. Aqueles que a frequentam apenas concordam, pela sua condição de viajantes, na necessidade de partir, ganhando assim um estatuto de ubiquidade virtual.